Brasil: Conversa I

Fila da faculdade, todos apressados para entrar no elevador. De repente, um rapaz a minha frente grita, − E aí Marcão! Beleza?

E o cidadão que estava impaciente ao final da fila, cumprimenta seu amigo e fica ao seu lado conversando e desta forma, passa a frente de dezenas de pessoas.

Sim queridos leitores! Apresento a todos o “jeitinho brasileiro”, essa atitude que todos nós já tomamos e quando dá certo… Ah! Quando dá certo você pensa, na maioria das vezes, que é “o  cara!”.

Mas tudo bem, você não é o único, até o Lula é “o cara” assim denominado pelo Barack Obama “o cara” dos Estados Unidos da América e da ONU.

Porém, o que eu quero dizer com isso tudo? Que o povo (ou seja, nós) exercitamos todos os dias uma cidadania incompleta. Que os eventos ocorridos no Senado Federal podem expressar-se como um reflexo da sociedade configurada atualmente no Brasil.

Os políticos estão em Brasília, legitimamente colocados lá. Com o meu, o seu voto e o de milhões de compatriotas. Os Senadores não são extraterrestres que desembarcam de Ovnis e sentam nas poltronas do plenário.

Com uma leve carga de teoria, busco uma parte da essência do conceito de Território, este é concretizado em diversos níveis. São eles: econômico, administrativo, bélico, ideológico e jurídico. A identidade (ou seja, o nível ideológico) do Território brasileiro está “bixada”.

Precisamos resgatar a Cidadania, a classe média brasileira precisa dedicar uma parte de seu tempo para além de pensar em sobreviver e pagar impostos, exercer raciocínio político e indignar-se. Só que o consumo desenfreado e a mídia acabam por sufocar e desviar nossa atenção.

E as classes menos abastadas precisam urgentemente acreditar na Educação. Acreditar que o voto é importante, por mais que um cheque federal em torno de R$40,00 por filho faça você sentir medo de votar em determinados candidatos, prefiro não citar nomes por enquanto. Tendo em vista que o PT irá sofrer em 2010, por cometer o pecado de adiantar a corrida presidencial para este ano.

Passando uma parte do meu tempo em Escolas, tenho percebido que os pais mandam seus filhos para as classes somente por mandar. E com Educação ruim, a reprodução social irá continuar e a tendência na minha opinião é piorar. Pois se imaginarmos a desigualdade como duas retas paralelas, uma representando a massa e outra a “Elite” (elite esta, cada vez mais fragmentada). Essas retas nunca se cruzarão. E com a especialização cada vez maior exigida pelo mercado? Qual será o futuro desses brasileiros?

Por isso, para esse post não se estender ainda mais. Peço a todos que revejam suas atitudes diárias e reflitam inclusive sobre os meios de comunicação. Precisamos criar o hábito de ler criticamente o Espaço (espaço que vivemos em Sociedade) foi isso que o Professor de Geografia tentou e tenta nos ensinar.

“Saber pensar o espaço para saber nele se organizar, para saber ali combater…”(LACOSTE, 1988, p.189).

Abraços,

Gerivaldo Oliveira

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8 Respostas para “Brasil: Conversa I

  1. brunonadkarni

    Muito pertinente este post!

    Concordo com a grande maioria dos seus argumentos, Gerivaldo. No entanto, na minha humilde opinião, “o problema dos políticos” no Brasil é um pouco menos culpa dos eleitores do que você sustenta no seu post.

    É inegável: quem elege esses que todos chamam de “escória” somos nós mesmo. Chegamos a um ponto de nossa história em que não dá mais pra fazer chororô (os botafoguenses que me perdoem) dizendo que houve fraude na contagem dos votos.

    Entretanto, ainda há vários outros tipos de “fraudes” menos objetivas nas nossas eleições: panfletos apócrifos, bolsa-família, boca de urna, etc.

    Peguemos os panfletos apócrifos como exemplo: só quem cai nessa jogada são aqueles que não se interessam em buscar a verdade, e quem acabam sendo facilmente “manobráveis”. É aí que quero chegar! Há no Brasil algo que eu chamo de “um grande esquema de perpetuação das classes/família/clãs políticos com a grave consequencia da reprodução da desigualdade social”. Mas que é esse esquema?

    O esquema é muito simples! Não invistamos em Educação! A massa se mantém ignorante –> Quanto mais ignorante, mais fácil de manipular –> Quanto mais fácil de manipular, mais fácil de se eleger usando meios escusos (como panfletos apócrifos, bolsa-família/cheque-voto, uso da “máquina pública”) sem que se tenha massiva repreensão da sociedade –> Perpetuação da classe de políticos do presente.

    O que quero dizer é que o povo é mantido ignorante propositalmente, para que essa galera continue se elegendo e elegendo suas “Dilmas” totalmente incapazes de presidir um país.

    O que você acha?

  2. Muito bom Post!

    Concordo com você Gerivaldo. Acho que a nossa própria visão de Brasil, ou como você coloca, o nosso “conceito ideólogico de Território” está bem equivocado.

    Vemos muitas pessoas reclamando do Governo por não fazerem um trabalho descente, mas ao mesmo tempo não hesitariam em ocupar a cadeira deles e fazer o mesmo.

    Por isso, vemos em programas que nem o CQC (que é de comédia, mas de vez em quando tem coisa séria) ir no Planalto e pergunar para os deputados quem é o autor da Lei x, sendo que muitas das vezes “ELE” era o autor da Lei e nem sabia…

    Sábio aquele que falou “O Brasil é o País do Futuro!”. Estamos sempre pensando no amanhã, nunca no hoje. Amanhã eu faço dieta, amanhã eu estudo, sempre adiando ao máximo.

    É complicado!

  3. brunonadkarni

    Se não me engano, o primeiro a escrever sobre o Brasil como “O país do futuro” foi o autor alemão Stefan Zeig, que morou em Petrópolis por muitos anos, até o dia da sua morte. Escreveu um livro entitulado “Brasil, país do futuro” na década de 30, se não me engano. Quem tiver interesse de ler (eu mesmo ainda não li) e compartilhar o conteúdo consco, aí vai o link pra uma versão e-Book:

    http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/paisdofuturo.html

    Essa coisa que o Fernando falou também é verdade. Estamos sempre pensando no amanhã! Deixamos pra fazer compras de Natal em cima da hora, pagamos nossas contas na data de vencimento (é verdade que isso até tem um sentido econômico). Pro brasileiro, o título do livro de poesias de Gregorio Duvivier viria a calhar: “A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora”. Faça-se cumprir a promessa, Brasil.

    (Pra quem ficou curioso com o livro: DUVIVIER, G. A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora. Rio de Janeiro, Editora 7 letras, 2008).

    Sobre o lance do território brasileiro, pretendo escrever um post no futuro. Como foi diferente o processo de formação do território entre as ex-colônias portuguesas e espanholas, não?

  4. brunonadkarni

    Breve correção: Stefan Zweig não era Alemão, mas Áustro-Húngaro.

  5. Bom, primeiramente parabenizo pelo espaço de reflexão. Entrei aqui por causa de uma divulgação do Fernando, meu ex colega de curso para professores no CCAA.

    Eu gostaria de falar inicalmente do tal jeitinho brasileiro e indagar porque sempre damos uma acepção negativa à ele. Será que não tem nada nesse jeitinho que tenha um lado positivo? Sempre reclamamos do jeitinho quando nos sentimos prejudicados, como nesse caso da fila, mas duvido muito alguém nunca ter feito nada do tipo e, inclusive, sair se achando o cara.

    Como lado positivo, vejo o jeito brasileiro como amigo e caridoso. Pela minha pouca vivência internacional, o que percebi é que é cada um por si quase sempre, inclusive nas amizades. “Vamos sair?”, “não posso, estou sem dinheiro”. Normalmente os estrangeiros dizem “ah, então tudo bem, fica pra próxima”, mas acho meio difícil isso acontecer no Brasil quando se tem já um certo nível de aproximação. Não precisa nem ser melhor amigo, às vezes conhecemos há pouco tempo, mas já temos confiança suficiente para dar um jeitinho no que for para ajudar o próximo.

    Agora, sobre a questão do senado eu também concordo que nós temos uma boa parcela de culpa. Eu mesma admito ter desperdiçado os meus votos para senadores votando em algum que achava legal, mas não pesquisava sobre a plataforma política deles. Felizmente, acordei.

    Também acredito que boa parte da culpa também se encontra na falta de educação, não só aos mais pobres, mas até mesmo para os mais ricos. Lembro vagamente que minha irmã mais velha chegou a ter uma matéria no colégio chamada “Educação Moral e Cívica”, cuja proposta é “A educação moral e cívica deve harmonizar tradição com progresso, a segurança com desenvolvimento. O civismo deve empolgar os jovens diante dos inúmeros problemas a serem enfrentados e que necessitam de um verdadeiro espírito de civismo, que compreende um diálogo entre os cidadãos de um país e, numa outra dimensão o diálogo entre nações. ” (http://www.inep.gov.br/pesquisa/bbe-online/det.asp?cod=50331&type=P)

    Há anos, não sei quantos, essa matéria foi transformada e, posteriormente, excluída do currículo escolar. Eu acredito que deveria ser matéria obrigatória o desenvolvimento da política nos indivíduos. Desse modo, penso que seria mais fácil desenvolver o espírito crítico novamente.

    Eu realmente demorei muito tempo para começar a me politizar. Foram 22 anos para que esse processo se iniciasse e tento realmente fazer com que meus próximos despertem o mesmo interesse, mesmo que ainda tímido, mas que pelo menos o possuam.

    E falando nisso, aproveitando o gancho, utilizo o espaço para divulgar essa campanha tão difícil, mas não impossível: http://www.mcce.org.br/node/15

    Bom, é isso, como estou no trabalho acabei me distraindo durante a composição deste post, portanto me desculpem caso algo pareça incoerente.

  6. Muito bom texto, agora falando sobre cultura brasileira e jeitinho brasileiro, acho muito engraçado quando as pessoas tentam esbanjar falando sobre Cultura Brasileira que pra mim não existe, somos aproximadamente 180 milhoes de pessoas que vivem num lugar considerado um país, mas me dizer que cada um ama sua patria, dizer que existe a nação brasileira ja acho exagero.

    Vamos a alguns pontos, a parte culta e de maior qualificação pensa logo em ir para o exterior; a parte de menor qualificação so pensa em futebol e cerveja.

    Um povo que ama sua patria ficaria deitado jogando conversa fora enquanto toca o hino nacional em um eveneto, NÃO mas eu ja vi muita gente fazendo isso. Outro ponto um povo que ama sua patria queimaria a propria bandeira so por que a seleção perdeu a copa, NÃO mas isso tb ja aconteceu ja saiu até no Globo. E pior um povo que ama sua patria roubaria vitimas de enchentes que perderam tudo, NÃO mas isso tambem aconteceu.

    Por isso acho que não é a questão do jeitinho brasileiro e sim e F**** os outros, aqui é cada um por si!

    Se esperavam por um discurso de vamos mudar o Brasil, foi mal mas não vai rolar, acho até hipocrisia, agora um fato interessante vejam o que o Lula falava do Bolsa Familia em 2002, programa que garantiu sua reeleição:

    Isso é Brasil! Vamos lá Dunga que venha o Hexa!

  7. brunonadkarni

    Acho que o jeitinho brasileiro é o fruto de uma constante tentativa de se contornar a extrema burocracia que há em fazer qualquer coisa funcionar no país. Acho que origem dele está aí. Ora, acho que aos poucos foi virando meio de se BURLAR FORMALIDADES.

    Não há como negar que o jeitinho brasileiro também tem seu lado bom (e bota bom nisso). Já trabalhei com muitos estrangeiros, e a maioria tem uma visão do brasileiro como um cara extremamente adaptável e trabalhador. Não tem isso tudo a ver com o jeitinho brasileiro?

    Sobre a noção de território/nação brasileiro: não sou historiador nem nada. Só curioso. Me parece que o Brasil, quando da sua independência escolheu um modelo mais Estadunidense do que Latinoamericano. A verdade é que somos um montão de naçoes dentro de um mesmo país, né? Só somos iguais quando tem Brasil e Argentina.

    Sobre o que falei sobre “o problema dos políticos” queria só esclarecer que não “culpei” as classes mais pobres por serem menos educadas. Até pensava isso, até o que aconteceu no Rio em 2008: Vitória de Dudu Paes com mais de 20% de abstenção na Zona Sul (principalmente Jardim Botânico, Gávea, Leblon e Ipanema).

  8. Primeiramente bom dia!
    – Jeitinho brasileiro todos já demos, pelo menos uma vez na vida, isso é CULTURAL! De certa forma, também é CULTURAL de nossa NAÇÃO sermos “mal educados”, na verdade essa maldade provem da falta de valor da sociedade desde 1500… Pô só veio FDP (e suas mamys), Ladrão, Escravos, Pobres e etc (que “Estoporaram” c’os Indios)… Depois de muitos séculos chegaram, agricultores, artesãos e ETC… que vieram pra trabalhar por “livre e espontânea vontade” e se deram mal, tinham com mó dívida (escravos), só FDP no comando, a única coisa que dava pra fazer era tentar se virar de um jeito ou de outro…
    Alguns se mantém tentando ajudar o que consideram PÁTRIA, mesmo não sendo daqui, dando um JEITINHO, mas sem desrespeitar regras sociais (Vide a Limpeza das cidades do Sul)… outros se revoltam porque “TODO MUNDO FAZ, PQ NÃO VOU FAZER!”.
    Eu tive aula de EMC (Educação Moral e Cívica) no primário, podem rir, minha MÃE era a professora!!!!
    E acho que um FDP que DESRESPEITA um Símbolo Nacional merece uma grande PENA…
    “Pena que ele não teve essa educação”.
    Nessa aula me falaram que cultura é a reunião de costumes e valores de uma região (aqui região não tem tamanho nem valor específico), pode ser do seu país, sua cidade, ou até mesmo grupo de amigos…

    “É a verdade o que assombra
    O descaso que condena,
    A estupidez, o que destrói”
    (Metal Contra as Nuvens
    Legião Urbana
    Composição: Dado Villa-Lobos/ Renato Russo/ Marcelo Bonfá)

    QUASE tudo que é generalizado não faz sentido… Não podemos tomar como base um Zé mane que queima a Bandeira de Qualquer Nação (Exceto se for a dos inimigos claro!) como referência… e sim as pessoas que tem conhecimento dos seus Simbolos (Hinos, Bandeiras, Selos etc…). Daniel, Veja além do prédio que fica a frente da sua janela… Nos sábados, próximo das 14:30, uns 50 jovens fazem saudação à bandeira nacional enquanto ela é hasteada junto com a do estado RJ e uma que representa a CULTURA do local.
    Eu acredito nas pessoas, só porque acredito em mim mesmo… e tento fazer o que posso, dentro do que vejo, para me consertar e com isso espero contribuir para melhorar o espaço a minha volta!
    Minha intenção não é dar bronca nem fazer todo mundo pensar como eu, pois todos temos formas diferentes de ver o mundo, e eu respeito todas as opiniões dadas até agora. Para mudar, o primeiro passo, é ver o que está errado. Resposta = EU!
    Abs

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