Assento preferencial: o pretexto que os mal-educados procuravam

Amigos,

Hoje todo mundo pode beber, pois o assunto é transporte público!

Ontem, por volta das 18h, cansado, tomei o metrô a partir Estação Cantagalo até o Catete. Como a Estação Cantagalo é a primeira do sentido Zona Norte, consegui um lugar pra sentar que, no entanto, era um assento laranja – e portanto preferencial. Eu nem precisava ter sentado no laranja, na verdade. Eu só queria manter um “assento” de distância de uma camarada que já estava sentado quando cheguei, esparramadão…

Duas estações mais tarde, as vagas definitivamente se esgotaram, e pessoas entravam decepcionadas; suas expressões faciais deflagravam o cansaço de um dia inteiro de trabalho: o mesmo que me assolava.

Uma estação mais tarde, uma mulher se posiciona ao meu lado, em pé. Sentado na extremidade da fileira de bancos longitudinais do vagão, passeando meu olhar por toda parte, fitei a mulher e notei que suas mãos tinham a pele bastante enrugada e as veias saltadas. Ela tinha um olhar cansado, de pessoa idosa. A sua testa era também um tanto franzida, e no entando seus cabelos eram mais negros que os meus.

Pouco depois, uma mulher de uma quarentena de anos de idade se levanta do seu banco laranja a uns 5 ou 6 metros de distância de mim, me olhando indignada oferecendo o lugar à mulher que eu tão atenta e duvidosamente observava.

Pensei bastante por alguns minutos e tirei algumas conclusões:

  1. Se você é idoso e quer usufruir dos “privilégios” de ser idoso [notem a palavra privilégios entre aspas pois não quero dar a entender que sou contra a cessão de lugares a idosos em transportes coletivos de qualquer sorte], não pinte o cabelo. Você irá causar confusão nos jovens benevolentes que querem te ajudar.
  2. Por que se, sendo a mulher ao meu lado idosa, somente uma pessoa super-longe foi levantar pra ceder o lugar? A resposta é: por causa da existência dos assentos preferenciais.
  3. A existência dos assentos preferenciais é a desculpas que os mal-educados queriam para não ceder lugar para idosos, gestantes, deficientes físicos e etc. Havendo 10 assentos preferenciais e 15 gestantes, pode apostar que 5 delas vão ficar em pé. (Vai, tô exagerando, eu sei…, mas a mecânica é essa).
  4. Acho que a campanha “Seja solidário: ceda o lugar” do Metro Rio deveria ter como primeira ação a uniformização das cores dos assentos dos trens: TODO ASSENTO É PREFERENCIAL!

Durante a redação deste post acabei simetrizando as conclusões para o tal do Carro das Mulheres. Mas isso já é outra história.

Garçon, você anda pintando o cabelo, Adamastor? Cruzes, me traz aquele conhaquezinho que hoje eu tô que tô.

Abraço,

BRUNO NADKARNI

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8 Respostas para “Assento preferencial: o pretexto que os mal-educados procuravam

  1. Bom texto, Bruno. Ótimos argumentos.

    Pois é, andar de metrô, trem, bussão ou jegue não tá fácil não…

    Realmente os assentos preferenciais para que idosos, gestantes, pessoas com deficiência ou com crianças de colo possam sentar-se à vontade (se é que tem como estar à vontade no metrô às 17 horas de uma 4ª chuvosa).

    No entanto, não acho que o problema se limite apenas a identificar os idosos, mas também na discriminação. Afinal, o que é o idoso? É ter cabelo branco, rugas, veias? É ter 60 anos ou mais? É ter as costas tão curvadas que as sacolas arrastam no chão?

    Gestantes, na maioria das vezes, são fáceis de se identificar, assim como pessoas com deficiência e com crianças de colo. Mas o idoso chega a ser complexo demais, pois não se baseia apenas em dados como cor dos cabelos, etc.

    Por isso, o certo deveria ser “ceda o lugar sempre”! Todas as vezes que você verificar alguém mais cansado, mais antigo (velho não, hehehehe), mais preocupado, mais estressado, tente ceder o lugar. Comecei a fazer isso e como forma de retribuição, as pessoas seguram a sua mochila ou sacola durante a viagem. Bonito quando conseguimos viver em sociedade.

  2. brunonadkarni

    É bom lembrar que tem muitos “idosos de 60” que provavelmente me deixam no chinelo em mutias modalidades esportivas, escaladas, trilhas, e etc.

  3. Garçom, tem mate com limão? Não? Mas tem o limão? Beleza… traz uma caipirinha então! Por gentileza, claro!

    Excelente texto, amigo! Todo assento é preferencial. É incrível como nossa sociedade tem esquecido o valor dos cabelos brancos – ainda que os mesmos estejam pintados.

    Ou o valor de se estar gerando uma nova pessoa.

    Ou o valor de ser gentil.

    Bem no estilo “Pingo é Letra”, cito um companheiro que foi um dos maiores exemplos de educação, respeito, cordialidade, humildade:

    “Quem não vive para servir não serve para viver.” (Baden-Powell)

  4. Vou ter que bater na mesma tecla de novo.
    Por Favor Educação Moral e Cívica nas Escolas!!!!!!!!!!

    Boa Bubu!

  5. Olha bom post mas discordo um pouco em alguns aspectos:

    1- a sociedade parte do principio que so os idosos devem estar cansados, portanto precisam sentar, considerando que na maioria dos casos os idosos apenas saem de casa para passear quando estão entediados, e o resto das pessoas tem que ralar o dia inteiro não me parece muito justo.

    2- Os assentos preferenciais são assegurados por LEI, portanto acho mais do que justo que se há alguem que não se enquadre na lei sentado neles , essas pessoas devam ceder o lugar primeiramente e o idoso que queira sentar tem obrigação de requisitar o lugar (com educação logico).

    3- Os idosos não pagam os 2,80 do metro, e ainda assim tem sempre assentos os esperando, sei que muitas pessoas falam que chegara a nossa vez, mas o que me garante que quando for idoso, terei entrada franca nos tranportes? Nada!

    Sei que vai parecer abstrução da liberdade mas os idosos não poderiam sair para passear em outros horarios que não o de pico?

    Outra solução seria ter um metro decente que passasse de 5 em 5 minutos e não de 20 em 20!

  6. Por acaso hoje passei por uma situação dessa. Minha prima de CG, e eu fomos até copacabana para assistir o desfile da Disney. Ela, coitada, sendo sua segunda vez no metrô, não se deu conta que sentara no banco laranja. Papo vai e papo vem, só me dei conta, quando uma senhora me catucou nos ombros me mandando sair..sendo que eu estava sentada no banco verde!!
    Ela me chamou de analfabeta, disse que eu não sabia ler, e que ela era professora.
    Me senti muito ofendida. Pois também sou professora, e sei ler perfeitamente.. além do que, não me importaria em ceder o lugar pra ela, apenas minha prima não tinha se dado conta de onde havia sentado.. nada que um pouco de educação não resolvesse.
    Mas como ela me “cutucou” pra fora da cadeira, como pagante, me senti no direito de ficar, já que eu estava no banco verde, defendendo minha prima, que nada falou- coitada!
    Acho que é necessária essa medida. Tenho uma avó de quase 92 anos, e não gostaria se não cedessem o lugar pra ela. Mas minha avó, por sua vez, também não humilharia ninguém por causa de um lugar.
    Criou-se um rebuliço de pessoas contra e a favor, de ambos os lados…
    Uma outra “senhora” me xingou de todos os nomes possíveis e imagináveis..
    ..eu saí muito triste, por ver que pessoas que nem me conhecem, me julgaram… não sabem que tenho família, mãe avó, marido e sobrinhos..e adoraria ceder o lugar.. só queria respeito mútuo.

  7. Idoso não pode pintar o cabelo??? Toda mulher é vaidosa e é direto dela escolher a cor do cabelo seja qual for a idade! Você mesmo disse: “fitei a mulher e notei que suas mãos tinham a pele bastante enrugada e as veias saltadas. Ela tinha um olhar cansado, de pessoa idosa…”. Desculpe a sinceridade mas o senhor faltou com respeito em ocupar o lugar que era de direito dela por lei. Apesar de julgar que se todos tivessem bom senso, não precisava de lei alguma….

  8. … respeito muito os cabelos brancos
    porem o banco prioridade não te dar o direito de ser sem educação
    Muitas vezes já vi senhores de idade cutucando e dizendo .. _ sai do meu lugar que to cansada (o)
    não espera nem a pessoa percebe que tem idoso na frente dela,
    não sento no prioridade, porem tenho o meu direito como trabalhador que paga a passagem e estar cansada, escolher se levanto ou não do acento “que não é prioridade”

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