Considerações do Rock in Rio

Ontem, dia 1º de outubro de 2011, eu estava lá! Era aniversário da minha mãe, e ela entendeu numa boa (eu acho), mas eu estava lá… Fazendo o que eu não sei, mas que fui, eu fui. Fiz um programão digno de cacique. Peguei ônibus cheio, fila, gente se esbarrando, fila de novo, andei pra cara*$%, e mais fila. Enfim, tudo que um digno poeta desesperado estaria pronto para passar somente para olhar para a sua musa.

As instalações estavam até legais, os problemas gerais do primeiro dia pareciam solucionados ou amenizados. As filas estavam organizadas, os banheiros estavam bem limpos (considerando o tamanho do evento) e os brindes e promoções eram enormes. Até eu entrei na dança, literalmente, pra ganhar um bastão de emergência (daqueles que você quebra e ele brilham). No stand da Heineken você dançava por 30 segundos, vendia o seu direito de imagem por doze meses e eles davam este brinde que custa 10 reais. Tudo bem, tinha o simbolo da Heineken.

Os shows da noite foram do Frejat, Skank, Maná, Maroon 5 e Coldplay. Por incrível que pareça não damos valor ao nosso conteúdo nacional. Frejat e Skank fizeram um show que fez o Rock in Rio tremer. Podiam facilmente ser as últimas atrações. Maná foi um ilustre desconhecido, enquanto o Maroon 5 e Coldplay encerraram a noite. Com direito inclusive a efeitos pirotécnicos.

Infelizmente, eu não tinha como apreciar estes efeitos pois esta noite de shows estava dedicada aos casais e aos corações partidos. Frejat cantou belamente canções que retratavam o amor, enquanto o Skank terminou o serviço. Lá pela hora de Maroon 5 e Coldplay, meu coração já estava despedaçado e o show foi se tornando um fardo em meu coração. Por que nessas horas o inglês das músicas é super simples e fácil de compreender?

Eu não sei em que momento me dei conta de que entendia completamente o sentimento de “estar sozinho na multidão”. Estava entre amigos, mas (me perdoem pois é por amor) trocaria as 100.000 pessoas por apenas uma. E o pior que ela estava lá e os meus olhos não cansaram de procurá-la. Talvez estivesse perto, mas definitivamente era procurar uma agulha no palheiro.

Eu achava que indo ao Rock in Rio, ou o coração blindava ou saía pela boca. E saiu, está aqui na melhor forma que encontrei de comunicar comigo mesmo. O aperto voltou. O sentimento de culpa se intensificou. Estou me sentindo só, sabendo que posso ter despediçado a única oportunidade de estar com a minha alma gêmea, com a minha pinguim. Afinal, já escrevi tanto pelo amor que sentia (e sinto, sei lá) que acho difícil ele desaparecer assim, do dia pra noite.

E comecei a reparar o pior: talvez ela já tenha me superado, enquanto eu ainda busco sair deste buraco. Sinto falta da companheira de todas as horas. Mesmo tentando me fazer acreditar que preciso me desapegar, não consigo. Faltou aquele momento em se olha nos olhos e diz “eu já não sinto mais nada por você”. E queria que às vezes ela simplesmente me explicasse o que aconteceu, na visão dela, enquanto ficamos abraçadinhos olhando pro teto.

Reparo também que eu tinha algo que como um título nobliárquico: namorado da pinguim. Não sei se chegava a ser alguém pois inconscientemente as pessoas tomaram partido, mas nenhuma pessoa chegou pra mim e falou “você está com a razão e ela está errada”. E sempre reforçam o meu sentimento de culpa.

Já apelei pro possível e pro impossível. Em minhas preces pedia pra nos ajudar. Afinal, quando temos essa certeza louca de que já encontramos alguém para ser companheira pra sempre, não queremos largar tão fácil. Mesmo que a sociedade quase que nos obrigue a ser fortes nessa situação, o meu íntimo não quer largar esse louco devaneio. Por isso, ainda escrevo.

E basicamente, este foi o meu Rock in Rio. Ainda não consigo me afastar desses sentimentos. Hoje, talvez ela nem me queira até porque não tenho auto-estima suficiente pra ser metade daquele que fui quando estávamos juntos. E me disseram, mais ou menos assim: “Se você não se levantar, nem ela nem ninguém vai querer você. Quem é que compra cavalo morto?” Acho que só precisava mesmo era de uma mensagem dela dizendo, “está tudo bem. Agora não dá, mas vamos tentar de novo semana que vem…”

E ao final deste texto, que era pra ser curtinho mas ficou melhor assim (eu acho), descubro que ela sempre foi a mais forte de nós dois, apesar de aparentar ter o maior coração. E eu, apesar de aparentar ser o mais durão, me vi mais uma vez sendo o mais bobo. E dessa vez, termino este post como terminei poucos: com um poema. É dedicado a minha musa, por isso só peço um favor: quem conhecer ela, avisa deste post. Dizem que uma boa oração, uma ótima determinação e um post bem divulgado faz milagres.

Beijos&Abraços, Nando.

Há um sorriso na lua
Mas não em meu coração
Mesmo que você vá à rua
Nunca mais me terá na mão

Afirmo o que não sinto
Vivo o que não quero
Parece que só eu minto
E a todo momento espero

Queria olhar nos seus olhos
E ver a nossa sinfonia
Mas parece que já não posso
Passar na sua companhia

Por isso: Há um sorriso na lua
Mas não em meu coração
Se vier pra rua
Estarei suplicando perdão
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2 Respostas para “Considerações do Rock in Rio

  1. Felipe Augusto

    Bom… eu te disse!

  2. Pingback: Considerações de Aniversário: 3ª Edição | Botequim Virtual

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