Boa Ação: Assistencialismo ou uma pequena mudança no mundo?

Doação de Sangue: um hábito de quem é saudavel!

Ontem, finalmente, consegui fazer algo que estava esperando há muito tempo: doar sangue. Desde 2008, não conseguia doar sangue. O tempo me escorria pelos dedos. Até mesmo no evento de doação de sangue nacional do Movimento Escoteiro não consegui doar, somente porque tinha virado a noite. Isso que dá ajudar as pessoas mais queridas… =P

Enfim, dessa vez foi diferente. Solicitei a minha chefe se podia doar, aproveitando que estamos em um período mais calmo, dormi bem e fui doar sangue. Ufa! Desejo matado. E ainda fui elogiado! Diziam que estava fazendo uma boa ação! Será? Comecei a pensar: “Será que foi mesmo uma boa ação? Boa ação é o mesmo que assistencialismo? O que define e diferencia a boa ação de um ato de assistencialismo?”

Antes de mais nada, acho interessante pensarmos nisso, já que diversas pessoas e entidades usam do “Espírito Natalino” para conseguir um lado melhor das pessoas. E ae? Isso também é boa ação?

Como um bom escoteiro, sempre ouvia dos meus chefes que o escoteiro deve fazer sempre uma boa ação. Até o bom velhinho (não me refiro ao Papai Noel, e sim ao Baden-Powell) dizia que um escoteiro deveria buscar diariamente a sua boa ação.

Ok, até aí, sem grandes problemas. Mas vamos sair um pouco da caixa: o que é de fato uma boa ação? Ceder o seu lugar em um ônibus lotado pode ser considerada uma boa ação. Assim como lavar a louça do jantar. Ou simplesmente sorrir para alguém. Será? Com tanta possibilidade, fica até difícil ver o que é ou não boa ação.

Mas agora é que fica a pergunta: se eu lavo a louça do jantar, e todas as outras refeições, cedo meu lugar em ônibus lotado e sorrio para todos, eu faço quase mil boas ações anos. Isso tá correto?

Bom, infelizmente, serei um pouco crítico neste ponto. Em minha opinião, quando fazemos uma boa ação, temos que sacrificar algo nosso. Pode ser o conforto, o tempo ou o direito de estar irritado com a vida. Quando já somos acostumados a pegar ônibus em pé, quando já lavamos a louça normalmente e quando sorrimos com facilidade porque estamos de bem com a vida, não estamos de forma alguma praticando uma boa ação. Não estamos sacrificando nada nosso pelo bem de que alguém. E esse sacrifício faz toda a diferença.

Por quê? Porque quando sacrificamos algo e fica evidente para as pessoas, temos a chance de transmitir um pouco dessa diferença para os próximos. Aqueles que estão ao redor conseguem ver e sentir que fazer uma boa ação depende mesmo é de atitude. Quando não há o sacrifício, fica evidente a todos que foi mera obra do acaso. Por exemplo: quando uma pessoa milionária, doa para uma instituição de caridade, raramente é visto como uma boa ação. Até porque, o milionário faz publicidade em cima do fato, deduz do imposto de renda e, no final das contas, não foi sacrifício algum para ele.

Agora, quando você pega uma pessoa de condição financeira difícil, que mal tem dinheiro para as contas, e essa pessoa ainda doa dinheiro para a caridade, putz, isso sim é uma boa ação. A pessoa está sacrificando algo que faz muita diferença na sua vida. Um milionário é visto como feitor de boas ações quando sacrifica o seu conforto para ajudar dentro da comunidade, e não quando simplesmente joga o dinheiro pela janela.

Por isso, acredito que uma ação boa somente será uma boa ação quando ela deixa de ser assistencialismo, e passa a demonstrar para o próximo a importância do sacrifício pessoal pelo bem comunitário. Quando as pessoas entenderem e olharem pelo bem do próximo, compreendendo as suas dificuldades, lutas diárias, teremos menos pessoas que sofrerão por falta de amparo. E muitas vezes, o que falta nesse mundo, são pessoas que expulsem o orgulho próprio em prol do benefício ao próximo.

E muitas das vezes praticamos esses atos somente com pessoas desconhecidas, que não possuem uma história de vida com a gente. Imagine agora, não ter o sangue de barata para ser pisado, mas escolher ouvir e apoiar aqueles que estão mais próximos, não somente o desconhecido. Apoiar, entender e saber largar o orgulho próprio em benefício daqueles que são a nossa família, ou que escolhemos para serem os nossos companheiros, amantes e confidentes de vida.

Adamastor, desce um Prosseco que hoje é Natal e merecemos um brinde a todas as pessoas que souberam escutar, apoiar, perdoar e se doar pelo próximo e pelos mais próximos.

Boas Festas!

Beijos&Abraços, Nando.

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