A importância de se voluntariar por um mundo melhor…

excesso de informaçãoEm meio a tantas discussões sobre o futuro mundial, casamento gay, igualdades de gênero, fim da corrupção, erradicação da fome no mundo, ameaça de extinção de várias espécies (incluindo a humana), fica claro que a civilização ocidental, baseada no pensamento grego, permanece intacta, isto é, muitos se utilizam de sofismos para chegar a conclusões nada razoáveis. A primeira evidência da nossa imobilidade cultural, em minha humilde observação, é de que a maioria das pessoas confundiu o processo de globalização, lecionado por professores na transição do século XX para XXI, como o advento e uso da internet. Apesar da internet favorecer o processo, ela é ferramenta, parte do processo, e não o processo em si.

Fica evidente que a internet é o atual campo de batalhas ideológicas, e o seu livre acesso facilitou a vida de pessoas que antes só ficavam famosas na morte, após recapitulação de suas vidas por historiadores. Ao mesmo passo, pessoas despreparadas, sem conhecimentos básicos sobre os fenômenos de causa e efeito, capacidade de tolerar opiniões e visões divergentes, e dinâmicas demais para se darem ao trabalho de interpretar textos, entender o autor, ou redigir ideias de forma clara e concisa, conseguem também disseminar suas análises incompletas sobre os mais diversos assuntos e temas.

Desta forma, ideias que não fazem qualquer sentido ganham força devido, única e exclusivamente, pelo apoio de outras pessoas que não compreendem a dimensão das propostas ou ideologias, por vezes, mal concebidas ou trabalhadas. Relembrando as mobilizações contra o aumento das tarifas de ônibus, em meados de 2013, a moda era apenas participar e dizer “eu estive lá” para os filhos. Moda apenas, visto que poucos meses depois a tarifa aumentou muito mais que 20 centavos, mote original da campanha.

A mais recente discussão, viralizada pela internet, é a igualdade de direitos ao matrimônio entre homo sapiens de um mesmo gênero (por nascimento ou cirurgia). Amigos, conhecidos, políticos e até aquele Zé Mané que ninguém sabe o que faz da vida se engajaram em busca de discutir, argumentar e vencer toda e qualquer discussão que seja contrária a sua ideologia, crença ou qualquer outra particularidade de pensamento. Todos tem uma opinião sobre este assunto e sobre o que acham ser o melhor para o mundo. Vídeos na internet, fotos de Whatsapp, blogs pelo mundo afora, todos querem dar uma mensagem para aqueles que não concordam com eles.

A respeito disso, o que me choca na realidade é que todos de fato tem a oportunidade de efetivamente mudar a realidade das pessoas, porém raramente o fazemos. Quando entramos no metrô, somos incapazes de dizer bom dia às pessoas que cruzam nossos olhares, sem que antes sejamos taxados de Casanova ou intrometidos. Não podemos mais dar gentilezas às pessoas sem que antes as pessoas imaginem que o nosso gesto mascara uma forma ímpar de revelar a sua incapacidade. Não podemos nem pensar que imediatamente as pessoas transformam nossos gestos em segundas e, quem sabe, terceiras intenções.

Apropriados destas manias, estamos tolindo a nós mesmos de fazer um mundo melhor. Estamos perdendo tempo em uma guerra ideológica de A contra B, onde nada estamos fazendo nem por A ou B. O simples fato de acharmos que fazer mudanças no seu perfil do Facebook irá trazer qualquer diferença a realidade, é o mesmo que achar que escolas não precisam de professores, educadores. É necessário que entendamos a diferença entre usar as mídias sociais como elemento divulgador e agregador do que como elemento finalizador, onde seu compartilhamento resulta em qualquer ação tangível. A AOL nunca doou um centavo a qualquer e-mail reenviado e o fato de você escrever o que pensa, pouco importa para o mundo se, de fato, você não se voluntariar por um mundo melhor.

A construção deste mundo, não será tão rápido quanto curtir algo, não será tão fácil quanto compartilhar qualquer foto e não será tão divertida quanto vencer qualquer guerra de comentários. Porém, o prazer de completar, dia após dia, esta missão hercúlea, será suficiente para que tenha a certeza de que não é preciso divulgar nada a ninguém para saber que fez um bom trabalho.

Adamastor, traz um whisky que esse merece.

Beijos&Abraços, Nando.

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