Ilusão da Excelência

excelenciaVocê alguma vez já sentiu que você trabalha, se empenha, se esforça bastante, mas não vê nenhum reconhecimento concreto? Eu também. E isso me fez pensar bastante sobre o por quê de não ter reconhecimento ou o prestígio. Eu pensava que a culpa era minha, e pode até ser que seja, mas quando comecei a me lembrar das minhas experiências, começo a pensar que o problema são outros.

(Ok, não quero dizer que o problema sempre será os outros. Pelo contrário, acho que em boa parte das vezes, o problema deve ser nosso mesmo. A percepção de quem trabalha nem sempre é a melhor do mundo. Todavia, existem casos em que o problema é de quem nos avalia.)

Em minha experiência, o problema começa com o processo de avaliação. Este processo se baseia em comparar o avaliado com padrões. Se o avaliado estiver dentro do padrão, ele está bem. Se estiver abaixo do padrão, sua avaliação será ruim, e se estiver acima, sua avaliação será ótima.

Parece muito simples e fácil, não? Porém, nos esquecemos de nossa condição de humanos e como gostamos de complicar aquilo que é simples. Gostamos de avaliar os outros por nós mesmos, isto é, avaliamos como se comparássemos os feitos dos outros com os nossos. Criamos a ilusão de que somos excelentes e os outros são medianos.

Este tipo de avaliação já aconteceu comigo. Em uma das minhas primeiras avaliações de desempenho, o meu avaliador estava avaliando um quesito importante no departamento: emissão de relatórios. Como eu havia emitido todos, me avalie como excelente. Ele, por outro lado, me disse que estava na média. Afinal, o esperado era que eu emitisse todos, se eu não emitisse um, ficaria abaixo. Esta é uma avaliação muito binária. Como eu poderia ser excelente com um critério deste?

Assim, eu vi que as pessoas podem tratar o excelente como bom, cotidiano. Mas isso se deve a uma expectativa que se cria em cima daquilo que é excelência. Achamos que excelência é algo majestoso, incrível. Mas como ter excelência quando cumprimos, item a item, o que nos é proposto? Quando lidamos com muitas tarefas “extras”, que sempre são urgentes, e ainda fazemos as demais?

Colocamos a excelência num pedestal. Apenas poucos serão reconhecidos e premiados. É o que diz a nossa mística. Não podemos ter um time inteiro de pessoas excelentes. No entanto, é sistêmico que poucas pessoas são realmente contempladas com reconhecimento pelos seus méritos. E isso me faz pensar que o problema nem sempre está na tarefa ou na sua execução, e sim naqueles que realmente prestam atenção ao que os outros fazem.

E antes que você pense que este problema acontece apenas em empresas, pelo contrário, ele ocorre com mais frequência que imaginamos. Em casa, no trabalho voluntário, no colégio, no Grupo Escoteiro. Quem se lembra a última vez que falou pra sua mãe que ela é excelente naquilo que faz? Quem se lembra a última vez que reconheceu aqueles que trabalham contigo?

Adamastor, desce mais uma porque esse demorou pra sair. Claro que eu acho você excelente! Vou criar o prêmio Bartender do Mês, aqui no Botequim.

Beijos&Abraços, Nando.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s