A dura vida das mulheres belas

Ainda hoje, boa parte dos homens não sabe bem como lidar com uma bela colega de trabalho

Tenho uma amiga que é excelente profissional. Aos 30 anos, é diretora de uma empresa de porte médio. Dedicada, segue estudando enquanto sobe na carreira. Aprende rápido e desempenha seu papel com dedicação e eficiência. No caminho de sua ascensão, há dois problemas: ela é mulher e, para piorar, bonita. Se você é mulher e se sobressai à média do que existe à sua volta em termos de beleza ou sex appeal, entenderá melhor o que digo. Mesmo depois de anos e anos de revolução sexual e de conquista de espaço em diversas áreas, a igualdade entre os sexos no ambiente profissional ainda está muito distante.

Sim, há avanços significativos, como demonstra o fato de, pela primeira vez na história do país, termos uma candidata a presidente com chances muito reais de chegar ao Palácio do Planalto. Mas é pouco, muito pouco, como há de concordar a maioria das leitoras. Basta ver que, para ficar na política, ainda se considera necessário haver um lei que obriga os partidos a reservar 30% de vagas para candidatos às mulheres – e nem assim essa cota é atingida.

Ainda é muito comum as mulheres receberem um tratamento diferenciado no local de trabalho. Não são raros os casos em que têm sua capacidade menosprezada ou em que são vistas quase como secretárias. Se o ambiente não for muito exigente, pode acontecer também de serem tratadas com certa condescendência, como se delas não se pudesse mesmo esperar muito.

A coisa fica ainda pior quando a mulher é bonita. Boa parte dos colegas não sabe bem como lidar com ela. Ou se sentem intimidados por sua presença ou compelidos a tentar alguma coisa. Mesmo que nada façam, longe dela, os comentários e risos abafados são uma constante. Se ela é promovida, sempre aparece alguém para duvidar de seus méritos.

Não creio que se possa simplesmente abdicar da natureza: homens são atraídos por mulheres, principalmente as belas. Acho mesmo que, se houver abertura, é perfeitamente legítimo que alguém desimpedido tente algo com uma colega de trabalho, por mais complicado que esse tipo de relacionamento costume ser.

O problema é o cara acreditar que tem a obrigação de tentar uma cantada. Ou, então, não tentar por falta de coragem ou oportunidade e morder os cotovelos porque não consegue nada.

(Fábio Santos * Diretor editorial (fsantos@destakjornal.com.br))

Extraído do Jornal Destak de 20 de maio de 2010, Rio de Janeiro. Acessável através do link http://www.destakjornal.com.br/readContent.aspx?id=18,59154 http://www.destakjornal.com.br/virtual/625/

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