Boa Justiça

Ainda me pergunto se Robin Hood está sendo justo ao roubar dos ricos para dar aos pobres, ou ainda, se estamos sendo bons ao ajudar pessoas em necessidade. Talvez a resposta para ambas seja “sim, você é louco, ou o quê?”. Entretanto, gostaria de atentar ao fato de que justo e bom estão colocados nas perguntas para confundir um pouco. Será que se invertemos estas palavras nas perguntas, será que a resposta ainda seria a mesma?

Nesta pequena confusão mental, gostaria de tentar, antes de mais nada, verificar o significado de cada palavra. Por definição sabemos que o bom, ou bondade, está associado a fazer o bem. Ajudar as pessoas é comumente visto como um exemplo de bondade. Por outro lado, justo vem associado à balança, atribuindo um significado de igualdade. Respeitar para ser respeitado é um sinal de justiça. Até agora, poderíamos nos deixar pegar um deslize e afirmar que respeitar para ser respeitado seja uma coisa boa também. Contudo, será que poderíamos colocar que ser justo é igual a ser bom?

Para tantos, esta seria uma verdade absoluta. Afinal, o bem poderia facilmente se perpetuar através da justiça. Se fôssemos todos bondosos e corretos uns com os outros, a justiça seria apenas uma ferramenta para continuação do bem. Entretanto, neste mundo utópico estaríamos desconsiderando o indivíduo como ser capaz de tomar escolhas e decisões. E essa simples diferença entre as escolhas produz os problemas do mundo e o limite entre bondade e justiça.

Procuro hoje ousar neste limite. Apesar de fantasiar um pouco na introdução, me pergunto se de fato a justiça está associada a bondade, como muitas pessoas falam, afirmam e acreditam. Ao olhar no entorno, verifico uma verdade um pouco maior. Quando vejo uma pessoa pedindo esmola, me vejo com duas escolhas essenciais: ser bondoso e dar a esmola, ou ser justo e não dar a esmola. Parece até estranho atribuir justiça a um simples fato de negar uma esmola. Todavia, o dinheiro que possuo é meu e eu ganhei ele de alguma forma, seja trabalhando, pedindo emprestado ou até pedindo esmola. Como não sabemos, e na maioria da vezes não nos interessamos, qual foi o processo que fez aquela pessoa pedir esmola não sabemos dizer se ela foi de fato injustiçada. Fica então essa escolha no ar.

Cabe então a nossa consciência, refletir se devemos ser bondosos em dar uma parte do que possuímos para as outras pessoas, ou devemos prezar pela justiça e aceitar que tanto o que eu possuo, como aquilo que ele não possui são resposta de justiça em relação aos atos que um dia fizemos ou deixamos de fazer. Agora discutir justiça universal ou bondade fica de fato pra outro texto, senão não estaria sendo justo pro leitor não digerir este assunto um pouco.

Fernando Araujo Hofmeister
Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 2008

Uma resposta para “Boa Justiça

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